Pornografia é mais poderosa quanto mais próxima do real

Catherine Millet, a mulher da foto acima, tornou-se mundialmente conhecida com o polêmico "A Vida Sexual de Catherine M.", livro em que a autora deixou cair a máscara de respeitada crítica de arte ao expor publicamente os detalhes de sua movimentada vida sexual, descrevendo de forma expícita uma sequência de relações sexuais que envolviam desconhecidos, grupos de até 150 pessoas e os mais variados cenários, entre clubes, beiras de estradas, praças públicas

A característica essencial de um filme pornográfico é a ausência de elipses, o tempo contínuo: o tempo do ato sexual filmado é igual ao tempo de um ato sexual real.

A definição acima é do pensador italiano Umberto Eco. Está em um livrinho chamado Seis passeios pelos bosques da ficção.

Uma das convicções trazidas pela internet é a de que, além dos filmes, também as imagens pornográficas estáticas são mais poderosas quanto mais próximas do real.

Numa época em que as pessoas produzem e compartilham aos milhões suas próprias imagens, uma foto que se pretenda pornográfica não pode subestimar a força de um registro amador.

Tecnicamente, uma boa imagem pornográfica não pode conter exageros cosméticos e atitudes ostensivamente poseurs.

A fotografia é e sempre será uma representação. Mas a melhor imagem pornográfica é a que mais se aproxima da crueza de um retrato amador.

As fotos pornográficas amadoras são pouco elaboradas do ponto de vista narrativo. Querem contar um mínimo de história, são primitivas em sua intenção de registro factual de uma situação real de sexo.

Ou pode ser o simples flagrante de um momento de intimidade, sem preocupação com a qualidade técnica do registro, como no caso dos despretensiosos self shots de Scarlett Johansson.

A repercussão dos self shots mostra que a qualidade técnica é cada vez menos relevante do que, digamos,  a “intenção discursiva” da imagem.

A estética da foto pornográfica da web está, aos poucos, chegando ao mainstream.