Marcha das Vadias, bobagem de meninas classe média

La Paglia tem um ponto: homens normais não estupram, nem por causa do comprimento da minissaia, nem por nada
Faz alguns meses, estive com Camille Paglia, a intelectual mais pop dos anos 90.
O Paulo Francis, sobre quem falo aqui com frequência, foi o primeiro a tratar dela nos jornais brasileiros.
Foi uma relação de amor e ódio (dele) que comprei na primeira hora: intelectual de Yale, queridinha de Harold Bloom, desafiava as velhas feministas com seu vasto conhecimento clássico e pop — sob sua pena, Madonna transformou-se num arquétipo de mulher pós-feminista.
Ela é quase uma brasilianista, admiradora de, bem, Daniela Mercury, entre outras coisas. Adora curtir o bas fond, travestis, shows de transformismo, a uma distância profilática, bem entendido.
Ela disse coisas interessantes a respeito da chamada Slut Walk, ou Marcha das Vadias, como tem sido chamada por aqui.
Candidamente, lembrou que há poucas décadas as mulheres andavam nas ruas acompanhadas de seus pais e/ou irmãos como forma de se proteger contra investidas de homens que fossem achacá-las moral ou sexualmente.
E lembrou que, ainda hoje, como sempre houve, há loucos de toda a espécie à solta, atentando contra a liberdade não só das mulheres, como também dos homossexuais, travestis e etc. Esse é o Brasil.
Donde se depreende que essas marchas de moças incautas ignoram a natureza selvagem do sexo. São ingênuas, inócuas.
Vamos à própria Camille, em texto para a imprensa britânica, em 2011:
“Prostitutas, strippers, pornografia, estes são os meus ideais da Babilônia. Em livros como Vamps & Tramps, lutei pró-feminismo contra os hipócritas e filisteus do Establishment feminista.
A rápida expansão global de Slutwalk demonstra a energia e as aspirações das jovens feministas. Mas sua mensagem confusa é um sintoma do caos sexual e anomia da burguesia ocidental.
Não chame a si mesmo de vagabunda, a menos que você esteja preparada para viver e defender-se como uma. Meu credo é um feminismo alerta, cauteloso, militante, o duro código de sobrevivência de prostitutas e drag queens.
O sexo é uma força da natureza, e não apenas uma construção social. (…) Meninas superprotegidas de classe média têm uma visão perigosamente ingênua do mundo. Elas não conseguem ver a animalidade e primitivismo do sexo, historicamente controlada pelas tradições da religião e da moralidade, agora firmemente dissolvendo-se no Ocidente. A revolução sexual vencida pela minha geração anos 1960 é uma faca de dois gumes.”
A Slut Walk vem aí, segue abaixo calendário no Brasil. Vai ter até em Araraquara.
Araraquara, SP 19 de maio de 2012 Local e hora: Teatro Municipal de Araraquara, 22h Grupo no Facebook
Brasília, DF 26 de maio de 2012 Local e hora: concentração no CONIC, 13h (próximo à Rodoviária do Plano Piloto) Comunidade no Facebook Siga pelo Twitter
Belém, PA 27 de maio de 2012 Local e hora: Estação das Docas, 9h Evento no Facebook Fan-page no Facebook
Belo Horizonte, MG 26 de maio de 2012 Local e hora: Concentração na Praça Rio Branco (praça da Rodoviária), a partir das 13h. Fan-page no Facebook Evento Twitter: @slutwalkbh Blog
Campinas, SP 1o de março de 2012 Fotos no Facebook
Campo Grande, MS 10 de março de 2012 – Próxima Marcha 26 de maio de 2012 Local e hora: a confirmar Veja fotos da primeira Marcha de 2012 Mais fotos aqui
Criciuma, PR 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça Nereu Ramos (em frente a Casa de Cultura), 10h Evento no Facebook
Curitiba, PR – Ato Vadio 26 de maio de 2012 Local e hora: Reitoria da UFPR, das 18h às 22h Evento no Facebook – Marcha das Vadias 14 de julho de 2010 Local e hora: a confirmar Comunidade no Facebook Veja fotos da Marcha das Vadias Curitiba 2011
Florianópolis, SC Dia 26 de maio Local e hora: Concentração na Catedral (centro da cidade), a partir das 10h. Evento no Facebook
Guarulhos, SP Data a confirmar (junho) Local e hora: a confirmar Grupo no Facebook
Natal, RN 26 de maio de 2012 Local e hora: Feira do Alecrim, 10h Twitter da Slutwalk Natal Página no Facebook Macapá, AP 2 de junho de 2012 Local e hora: Praça Floriano Peixoto, 15h Evento no Facebook
Salvador, BA 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça da Piedade, às 13h30 Evento no Facebook
São Carlos, SP 26 de maio de 2o12 Local e hora: Praça Santa Cruz, 9h Comunidade no Facebook
São José dos Campos, SP 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça Afonso Pena, 10h Fan-page no Facebook Blog
São Paulo, SP 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça do Cicllista, 13h Grupo no Facebook
Pelotas, RS 8 de março de 2012 Fotos aqui
Porto Alegre, RS 26 de maio de 2012 Local e hora: Arcos da Redenção, 14h Evento no Facebook Grupo no Facebook
Recife, PE 26 de maio de 2012 Local e hora: Praça do Derby, 14h Evento no Facebook
Rio de Janeiro, RJ 26 de maio de 2012 Concentração no Posto 4 da Av. Atlântica, a partir de 13h Evento no Facebook Veja fotos da Marcha das Vadias em 2011
Vitória, ES 26 de maio de 2012 Local e hora: UFES, 14h Evento no Facebook
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Ah, mas então. A questão que a Camille deixou passar, na época, é que: não importa que roupa você esteja vestindo, se você é mulher, você será tratada como objeto na rua, ouvirá cantadas, desrespeito. Inclusive se você vem de classes mais privilegiadas. Não podemos usar a natureza “primitiva” do sexo para justificar coisas como assédio nas ruas (e estupro) como se os homens não pudessem se controlar, graças a seu lado “animal”. Eles podem se controlar. Devem se controlar. Não se trata de ingenuidade, mas de reivindicar o direito de andar na rua em paz. O direito ao espaço público é diferente para homens e mulheres, não acha?
Jeanne, cara, bom vê-la por aqui.
Daria para entender se a reivindicação fosse o direito de poder usar roupas curtas ou até de não usar roupas. Ou se fosse uma marcha contra os estupradores.
Mas aí não faria sentido porque, na prática, esse é um direito assegurado pela constituição a mulheres e homens igualmente.
E aos estupradores o Código Penal já reserva tratamento específico.
Parece um pouco confuso que a reivindicação seja não sobre obter um direito, mas contra o direito de expressão de outrem — mesmo que seja a expressão da vulgaridade e do mau gosto.
Além de confuso, há embutida aí também uma tentação totalitária, muito comum nas marchas. A tentação de achar que se deve regular o que as pessoas podem ou não pensar e falar.
Ah! E esqueci do principal, rs. Vadia não é sinônimo de prostituta. Toda mulher – inclusive as privilegiadas de classe alta – já foram chamadas de vadias – ou termo equivalente – para desqualificá-las. É um termo que está sempre à espreita, não importa o que você faça. Como disse uma amiga: “a imensa maioria das mulheres já foi ofendida com um termo sexista pra desqualificar em função de sua sexualidade.” As mulheres da Marcha das Vadias não estão se apropriando de uma realidade que não é delas, mas de um termo que já é usado para desqualificá-las diariamente.
Se algum dia ela for violentada e o kra usar as roupas dela como desculpa ela talvez entenda o porque da marcha. Homens normais não estupram e o que isso tem a ver com a questão?? Intelectual é?? tem que ver isso aih, parece mais uma mulher frustrada, desse tipo que gosta de ser do contra só pra chamar atenção dos outros. Patético.
Por favor, só arrumem que a Marcha das Vadias é em Criciúma – Santa Catarina. E não no Paraná…
Obrigado…
Muito me intriga esta questão. Se não fosse intitulada “A Marcha das Vadias” tenho certeza que ela nunca teria ocorrido, ou que teria meia dúzia de “três ou quatro” por lá. Me assusta um pouco esta natureza humana de agredir a opinião alheia. Chamar atenção para o ponto errado do fato. Se fosse “A Marcha das Vazias” teria feito mais sentido. Não acredito neste tipo de conceito. Foi importado, foi copiado e está equivocado. Tinha muita gente lá reivindicando nada. Apenas Estava lá. Já vi mulheres de comportamento exemplar que eram verdadeiras “vadias” fora dos olhares alheios e não precisam esfregar isso na cara dos outros.
Jamais defenderei alguém que menospreza uma mulher agredida em qualquer circunstância, mas vamos analisar o que o tal policial teria dito no caso original da Vadias originais: andar vestida de forma provocante ou até mesmo semelhante a uma prostituta potencializa um ataque que talvez não ocorresse. Mulheres lindas, são lindas e sensuais com qualquer roupa e poderão ser atacadas de qualquer forma, basta que o maníaco tenha a oportunidade, estando ela vestida como uma prostituta ou com uma burca. Querer o direito de andar como uma prostituta e não querer ouvir gracinhas e não se expor a um maníaco, não é um direito, é sorte se não acontecer. Peça mais sorte a Deus. De outro lado ser vadia (no sentido de ser liberal sensual e sexualmente) não é algo que se reivindique em público, mas sim algo que se pratica e pronto. Aguente as consequências das reações que você provocará este é o seu dever.
Na minha visão, estamos nos encaminhando para um mundo onde uns querem fazer com que os outros engulam as suas atitudes tortas em silencio, sem consequências. Não se joga um pedaço de picanha sangrando num mar com tubarões e se espera que eles não o ataquem.
DIGAM NÃO ao estupro de qualquer natureza, mas por favor, não confundam a cabeça das nossas crianças.
Quer ser maconheiro? Esconda-se da lei e pronto e não enche o saco. Financie o narcotráfico que mantém aquele mesmo bandido que vai matar seu irmão num assalto. Alguém já viu um traficante fazendo passeata pelo direito de traficar em paz sem ser preso?
Se a sociedade é hipócrita, bom, é outro assunto e talvez esta hipocrisia seja o que ainda mantém algumas coisas fora do caos completo.
Desculpe, Edward… mas Camile Paglia simplesmente naturaliza a violência sexual. Assim como fez com a pornografia e a prostituição nos anos 90. “Desde os primórdios até hoje em dia” é premissa típica de argumento raso.
Não sei de verdades absolutas, mas sim de coisas interessantes ou desinteressantes. E esse debate cai no primeiro caso. Já havia lido seu post (sem chegar a veredicto algum), mas hoje caí nesse texto aqui (http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-deboche-das-vadias,881691,0.htm) e voltei a encucar a questão.
Enfim, mais lenha na fogueira.