Victor Navasky ou o charme da esquerda americana
Personagens ilustres do século 20 saltam das divertidas histórias contadas pelo jornalista americano Victor Navasky, a quem tive o prazer de conhecer pessoalmente na quarta-feira (13/6/12).
Aos 79 anos, ele é professor da Universidade Columbia, passou pelo New York Times (na revista e no suplemento de book reviews) e durante quase 30 anos editou a revista The Nation, mais antiga semanal de opinião americana, autointitulada “flagship” da esquerda.
É outro nível.
Navasky é dos meus. Discorre e desmonta o que chama de “mito da objetividade”, a ideia equivocada de que o discurso jornalístico é uma ciência exata.
Um dia Navasky quis entrevistar o filósofo Jünger Habermas, o decano da escola de Frankfurt (BTW, está vivinho da silva, tem 83 anos), para tratar do papel das revistas de opinião.
A secretária do filósofo marcou o encontro. E Navasky foi a Frankfurt. Lá chegando, o filósofo não queria recebê-lo. “Sou muito ocupado e não posso receber você. Além do mais, fui traído pelo último jornalista a quem falei”, disse Habermas.
Enfim, conseguiu dobrar o alemão, que o recebeu relutantemente. A verve incrível de Navasky. E, ao final da entrevista, Habermas explicou: “A função das revistas de opinião é estabelecer um parâmetro, um padrão para o debate público.”
Uma das histórias mais legais tem a ver com a caricatura que ilustra este post.
Na redação da The Nation, nos anos 80, Navasky, Christopher Hitchens (1949 – 2011) e o cartunista David Levine (1926 – 2009), autor do desenho, debatem.
Uma colega da redação que estava por perto considerava a peça sexista. “O planeta tem corpo de mulher e parece um estupro”, ela dizia.
“É a representação de Henry Kissinger ferrando com o mundo, e é isso que ele está fazendo”, ponderou Levine.
Hitchens pegou de leve no braço da jornalista e terminou a discussão: ”Olha bem, definitivamente não se trata de um estupro…”.
E Navasky publicou.
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