
Norman Mailer (1923 – 2007) na capa da Time com Marilyn Monroe, sobre quem também escreveu; intelectuais ou não, todos eram loucos pela Marilyn
Se você ainda nåo conhece o Norman Mailer, sugiro então que comece por The Armies of the Night, ou Os degraus do Pentágono, na tradução brasileira.
Primeiro, é um livro autobiográfico. Mailer fala de Mailer na terceira pessoa.
Trata da Marcha sobre o Pentágono, realizada no verão de 1967, contra a Guerra do Vietnã.
Era uma época em que as marchas nada tinham que ver com a cantilena das minorias “progressistas” ressentidas que se articulam pelo Facebook.
Reparou que hoje há hipernichos de minorias? Lésbicas disfarçadas de sluts, maconheiros ecológicos, peladões amigos dos animais. Tem para todos os gostos.
É por isso mesmo que você deve ler. Para lembrar que um mundo sem tantos babacas é possível.
Tenho 37 anos, portanto ainda estou bem longe dos 40, certo? Não?
Coincidentemente, venho relendo umas coisas, tudo escrito por autores que tinham mais ou menos 40 anos na década de 60.
Os heróis do Woody Allen moram na década de 30. Os meus tinham mais ou menos 40 anos na década de 60.
Norman Mailer fez quase tudo na vida. Casou-se cinco vezes, teve nove filhos, bebeu e tomou drogas por décadas a fio, esfaqueou uma de suas ex-mulheres numa briga e ganhou fama de mau.
Fundou a revistaVillage Voice em 1955 e foi preso na Marcha sobre o Pentágono.
Em 1969 ganhou o National Book Award, no mesmo ano em que candidatou-se à prefeitura de Nova York e perdeu. Faturou o prêmio Pulitzer duas vezes e, o mais importante, tornou-se um dos mais importantes escritores de todos os tempos.
Leia o trecho que escolhi especialmente para você:
“Uma noite sem uma dama de má reputação era como um companhia de ópera sem uma grande voz. Claro, não havia senhoras dessas categoria quando ele (Mailer) entrou na sala. Algumas esposas razoalvelmente atraentes, sem dúvida, e um par de moças, muito jovens para ele, estavam ainda nos últimos estágios de uma espécie de extraordinária escola progressiva e eram inocentes, espirituosamente decentes, alegres, de bochechas vermelhas, idealistas e profundamente isentas do sentido de pecado. Mailer não saberia o que fazer com tais moças; gastara os primeiros quarenta e quatro anos de sua vida num diálogo íntimo, uma verdadeira dialética, com os arrebatamentos, os espectros, as investidas, as máscaras e rosnadelas, os lúcidos talentos do pecado; o pecado era o seu companheiro dileto, sua tônica, seu carcereiro, seu corcel e sua espada, e não estava inclinado a flertar durante uma hora com uma ou outra das alegres moças de dezessete anos, quando elas concebiam a sensualidade apenas como uma ginástica do amor.”
Norman Mailer, The Armies of the Night
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