Arquivos de etiquetas: Mick Jagger

Morto há 25 anos, Warhol sobrevive

23 fev

Andrew Warhola (1928 - 1987)

Vi hoje na Ilustrada (23/2/2012) nota sobre 25 anos da morte de Andy Warhol e relançamento de seus diários pela L&PM, dois volumes de bolso.

Os diários são engraçados. Warhol anotava o preço de tudo, principalmente das corridas de taxi. Fazia parte de seu projeto existencial tirar uma polaroid por dia e registrar o valor em dólares dos deslocamentos e jantares.

Já que estamos tratando do assunto, repincei aqui (o bom blog da L&PM havia pinçado primeiro) um registro escrito por Warhol no dia 1º de março de 1980, um sábado.

Ele detona o beatnik William Burroughs.

“Victor Bockris telefonou e disse que o jantar com Mick Jagger na casa de William Burroughs estava confirmado. Victor está escrevendo um livro sobre Burroughs. Decidi ficar no escritório e não ir para casa. O motorista não parou no 222 Bowery, estava indo muito depressa (táxi $3). Subimos, eu não ia lá desde 1963 ou 1962. Certa vez foi o vestiário de um ginásio. Não tem janelas. É todo branco e limpo e parece que tem esculturas por toda parte, com aqueles canos daquele jeito. Bill dorme num outro quarto. Não acho que seja um bom escritor, quer dizer, escreveu um único livro, Naked Lunch, mas agora é como se vivesse no passado.”

Touché!

Volto ao Burroughs em breve.

Rebolar como Mick Jagger

27 jan

Mick Jagger optou por ser ele mesmo. E acertou.

Você já deve ter ouvido a música do Maroon Five, uma homenagem ao Mick Jagger. O clipe mostra uma pequena e contagiante antologia de cenas do longevo roqueiro britânico em ação, dançando. E também homens e mulheres se movendo como Mick Jagger.

O Jagger sexy que vemos ali jamais será acusado de ser alienado. Foi justamente a irreverência e a atitude ostensivamente sexual que fez dos Rolling Stones — Jagger sempre à frente — uma banda mais pertubadora e polêmica do que os Beatles, do ponto de vista político.

Bono Vox, do U2, poderia ter trilhado o mesmo caminho. Teria sido muito mais interessante em todos os sentidos. Na época de Achtung Baby, talvez o último disco realmente brilhante da banda, Bono era quem queríamos ser. Ele estava sempre vestido de preto como um Elvis e escolhia uma moça para subir ao palco para sucumbir aos seus afagos.

Nós vibrávamos com Bono, era autêntico.

Mas ele escolheu abraçar o esquerdismo limonada que transformou sua música e a ele próprio num tédio absoluto. E, como ele, a toda gente engajada na religião das causas sócio-ambientais.

Mick Jagger, apesar de britânico, pertence à linhagem de Elvis Presley e Michael Jackson. Bono, o irlandês que um dia decifrou a música americana, não.

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