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Djoso-Horace

10 mar

Ilustra do Arthur Arnold

Ser uma linda de suplex não é para qualquer uma. Os homens, em geral, querem as lindas de suplex porque são garotas comuns, com suas roupas de ginástica apertadas, posando quase sempre para o namorado. Além das ancas jovens, há um tesão especial pelo fato de eles incentivarem a exposição delas na internet. Ela foi a linda de suplex de janeiro, mês em que completou vinte anos. Djoso-horace deseja profundamente ser pisado por uma linda de suplex. E vamos supor que ele tenha conseguido contatar a nossa estrela de janeiro para um programa com o consentimento do fidanzato.

Muitos sempre suspeitaram que Horace, obviamente, nunca deixara de ser uma das personas do apresentador de televisão Djoso-horace. O fato ficou claro quando ela chegou ao porão, apertou o botão do interfone e recebeu um clique seco da porta automática.

Foram os dois lances de escada mais demorados de sua vida. Afinal, ela sabia que iria encontrar-se com ninguém menos que Djoso-horace. Mas fingiu que era normal. Ele atendeu à porta num outfit de couro justo, cheio de tiras e fivelas de metal. A barriga caía-lhe fartamente sobre as pernas como uma saia adiposa, ocultando o escroto. Sua brancura contrastava com as correias negras que separavam suas duas mamas peludas, pendentes com pregadores nos mamilos. Não era normal. Ninguém acharia normal. Mas ela fingiu que estava tudo ok. Puta acha tudo, tudo, tuturututudo normal. Uma máscara negra encobria seu rosto famoso de televisão. Ela veio apenas linda, de suplex.

Ficou bem à vontade para escolher um entre os dez consolos da coleção de Djoso-horace. Um de cristal, grosso e liso. Ela pôs o cinto de couro na pélvis, encaixou-o e logo estava metendo a vara naquelas nádegas brancas imensas. Ele levava sem dar um pio. Cansada, ela tira o suporte, tira o legging de suplex, o tapa-sexo Calvin Klein e exibe um micropênis de quatro centímetros, duro. Surpraaaise! Ninguém poderia imaginar que a nossa linda de suplex tivesse um micropênis.

Não é normal. Ninguém acharia normal. Mas Djoso-horace achou normal e chupou a coisa por 15 exaustivos minutos. Depois, pediu que ela calçasse uma sandália com salto stiletto antes de caminhar em cima dele, afundando os pezinhos na banha, quase furando.

Os pés acabaram na boca, saliva por todo lado. Agora mija, ele pediu. Fez-se um enorme silêncio. O CD do Brian Ferry terminara, e no ar só havia a respiração de ambos. Foram os segundos mais demorados de sua vida.

Afinal, ela estava ali com ninguém menos que Djoso-horace. Mas fingiu que era tudo normal e pronunciou um sonoro não no momento em que pela primeira vez fitou os olhos miúdos atrás da máscara. Ele gozou de prazer, e ela saiu rebolando porta afora, linda, de suplex.

*Conto publicado em 2006, em O Homem que não gostava de beijos, pela editora Record. http://www.record.com.br/autor_entrevista.asp?id_autor=4835&id_entrevista=179

 

Análise semiótica da sexta — Bárbara Evans

2 dez

Bárbara Evans, estrela da edição de dezembro da Playboy brasileira

Então vamos começar com um bom clichê, lembrando o primeiro parágrafo do livro mais famoso de Vladimir Nabokov:

“Lolita, luz de minha vida, fogo em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços foi sempre Lolita.”

Lolita, como andei falando neste post, subjugou a cultura popular com seus encantos irresistíveis. E, no caso em questão, parece ter sido uma das muitas inspirações do fotógrafo Bob Wolfenson no ensaio que fez com Bárbara Evans para a edição brasileira da Playboy de dezembro.

Uma lindíssima inspiração, diga-se.

Olhando atentamente, você percebe que ela está entretida com a leitura daquilo que pode ser um romance ou um livro de contos eróticos. Interessante que um dos posts mais vistos deste blog é justamente a (suposta) imagem de Scarlett Johansson concentrada na leitura.

Aproximando ainda mais o olhar você vê detalhes muito interessantes, entre eles um pedaço da capa do livro. Um livro que tem como personagem principal um certo Horace Catskill.

É possível que Bárbara Evans estivesse, naquele exato momento, lendo o seguinte:

***

Morbocornudo

Ele dorme com dois revólveres embaixo do travesseiro. Não passou um único dia de sua vida adulta sem rivotril. Ressona. Tinha mandado dois lexotans e amargava o desconforto de sua couchette. Havia o temor de que o lenhador alsaciano que fora pego no meio do caminho desabasse sobre ele com tantos resfôlegos. Horace Catskill nasceu do ventre de uma mulher chamada Maria, mamou naqueles seios e depois, ao descobrir-se organismo vivo, não tardou para que caísse na vida e fosse felado por uma outra mulher de mesmo nome.

Estava com a cabeça cheia de sexo e o nariz entupido com o cheiro das meias do lenhador. Como qualquer bactéria, HC é um ser necessário. Não mais nem menos necessário do que um hipopótamo, uma alga ou filósofo sartriano. Bêbado, prestava seus melhores serviços à humanidade. Gastava seu precioso latim em pensamentos elevados sobre as mulheres. Entre eles, o de que só mesmo um homem obnubilado pelos clamores primitivos do gozo se sujeitaria a rastejar atrás de um espécime de ombros estreitos, ancas largas, estatura desprezível e nenhum pendor para o trabalho intelectual.

HC, o homem que nunca admitiu ter o pescoço escanhoado, contraiu núpcias assim que chegou a Nantes. Bastaram dois meses para que um homem de hábitos feito ele chegasse à conclusão de que casar é irresistivelmente cômodo. Quando o senhorio tocava a campainha, ele se mandava. A mulher, nos afazeres, atendia à porta quase sempre com o grosso avental

molhado do tanque. Tinham sempre muito a tratar; ela desatava os laços e pendurava a peça ao mesmo tempo em que enxotava as crianças para brincar na rua, exibindo um peignoir translúcido de puído. Era o tipo mignon. Ele, cromagnon. Ela dava conta dos sorvetes, figos e tâmaras secas que o homem trazia nas mãos e só depois iniciava os trabalhos.

O velho árabe fodia aquelas carnes impiedosamente, em exatas duas horas. Horace Morbocornudo Catskill voltava sempre no mesmo horário, a tempo de acenar com o chapéu ao satisfeito senhorio, que, com passos lentos e discreto sorriso, deixava o bairro para trás.

***

O autor do livro ficou matutando horas sobre como O Homem que não Gostava de Beijos tinha ido parar nas mãos de Bárbara Evans. Concluiu que talvez tivesse sido obra do diretor de arte da Playboy, o Alexandre Ferreira, finíssimo leitor e esteta requintado.

Não importa.

Está contada a história de como Horace Catskill e Bárbara Evans se encontraram pela primeira vez.

Mais sobre O Homem que não Gostava de Beijos aqui.

Leia também:

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Meninas da American Apparel não; o Beckham de cueca ok?

O mito Patrícia Serralha ou a garota dos sonhos da infância

As criancinhas sem pirulito da retratista Jill Greenberg

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Horace Jacko Catskill

6 nov

 

HC transformou-se numa mosca. Uma drosófila. E instalou-se nas reentrâncias da prótese nasal de silicone de Michael Jackson. Recolheu as asas e ficou com sua cara de inseto ali na pia de mármore travertino esperandoos primeiros raios solares e o dono do falso nariz. Michael Jackson caminhou nu até o banheiro e colocou-se em frente ao espelho com as duas mãos na pia. Examinou-se demoradamente, riu-se da aparência de personagem de desenho japonês e pousou a mão demoradamente no oco das fossas nasais. Deslizou as mãos pelo corpo sarapintado de nódoas de melanina e manchas cor de leite. Entra um staff de maquiadores, surge um roupão de seda, alguém começa a pentear seus cabelos com as mãos, música, música de Michael Jackson no ar, uma mucama agarra a prótese e a encaixa bem no meio do rosto, duas ou três pás de pancake, pó, rímel, em minutos estaria pronto.

Horace Ambrose Catskill surpreendeu-se dentro das vias respiratórias de Michael Jackson. Com acesso ao crânio todo. Ficou ali pespegado num tecido grudento, pensando em desvendar os meandros e caraminholas da cabeça do maior astro negro da indústria pop de todos os tempos. Não seria difícil.

Alguém do entourage trouxe-lhe o jornal. “Defesa de Jacko chama neta de Marlon Brando para depor.” Por dentro dos olhos de Michael Jackson, HC leu a manchete. Estavam, ele e Jacko, prestes a um confronto de forças mentais. Jacko vai ao chão num suave desfalecimento. A mente mais forte prevalece, e HC mosca assume o comando quando o astro se põe de pé, refeito. Em minutos, Horace Jacko Catskill subirá as escadas do tribunal para ouvir a sentença que o inocenta de ter papado todos aqueles garotinhos.

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