Alain de Botton já escreveu sobre felicidade, amor e religião. Agora ele quer investigar a pornografia, na crença de que pode transformá-la numa indústria moral e nobre. Vi no Independent.
Bom, em verdade, filósofos sabem que não “transformam” nada. Já os banqueiros…
Autor de best sellers como “A Arquitetura da Felicidade” e “Como Proust Pode Mudar sua Vida”, Botton diz que pretende reunir na sua School of Life figuras da pornografia e das artes para identificar uma “nova pornografia”, que seria mais socialmente aceitável.
“Graças à internet, o mundo moderno está inundado por pornografia. Essa pornografia representa uma ameaça não só a quem a produz, em relação à exploração envolvida, mas também àqueles que a consomem, pelo conflito entre valores codificados pela pornografia e suas responsabilidades e os valores do resto de suas vidas”, disse.
Os gregos antigos, diz Botton, entendiam que não havia necessidade de ter que escolher entre “ser humano e ser sexual”.
De fato, não há necessidade de fazê-lo no século 21.
Mas fico pensando como seria a pornografia do bem? Haveria nu? Frontal ou só bumbum? Textos para “senhouras”? Citações do Velho testamento? As chacretes são consideradas? Sexo maduro naturista? Quem sabe as fotos caseiras instagram captadas com amor no ambiente doméstico estariam liberadas?
Imagens pornográficas, o Botton sabe, são tão velhas quanto a fotografia. E as literárias tão velhas quanto a literatura.
O julgamento sobre se é moral ou não, num estado laico, está na cabeça de quem as recebe – e porventura busca.
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Coração Liberal Capítulo 2
Coração Liberal Capítulo 3
Coração Liberal Capitulo 4
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