
Nós tínhamos convidado o jornalista Mario Sabino para entrevistar Diogo; Sabino teve um contratempo e então lá fui às pressas entrevistá-lo num auditório lotado
Fiquei entusiasmado com Polígono das Secas, uma das sátiras do Diogo Mainardi romancista. Ele publicou também Malthus (1989), Arquipélago (1992) e Contra o Brasil (1998).
Devo ter sido um dos primeiros a escrever sobre o livro, em 1996, e tratei de falar dele nas aulas de Teoria da Narrativa, na Unesp, onde cursava Letras.
Polígono, um livrinho de 128 páginas, satiriza a literatura regionalista brasileira, principalmente a postura paternalista de certos autores em relação ao homem do sertão.
Dez anos mais tarde, em 2006, entrevistei Diogo no auditório da Editora Abril. Era o auge do Mensalão e ele era então o colunista mais comentado do Brasil.
Eu queria tratar de literatura, falar sobre seus livros, mas Diogo não quis. “Sou um ex-romancista”, justificou em tom provocador.
Ele queria tratar de política. E, claro, era mesmo difícil que algo pudesse ser tão atraente para a plateia quanto as mazelas da política nacional. Assim foi.
Os governos começam e terminam, passam. A literatura permanece. Quando permanece.
Hoje relido, com a distância profilática do tempo, Polígono das Secas parece-me ainda uma ótima sátira, como quase todas as que Diogo publicou.