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O mito Patrícia Serralha ou a garota dos sonhos da infância

6 abr

Ladies and gentlemen, Patrícia Serralha

Homens e mulheres em pleno domínio de seus afetos andam bisbilhotando o Facebook das pessoas que conheceram na infância.

A distância do tempo e o anonimato (presumido) são a salvaguarda para a expressão da curiosidade de todos, hoje muito bem casados e resolvidos, mas muito interessados em saber como evoluiu — ou não — a vida dos indivíduos que fizeram parte do passado.

É possível que você ainda guarde a lembrança da menina impossível da sua geração. Ou do menino, digamos, intangível.

Falemos da menina, hipoteticamente, por enquanto.

Apesar de tanto tempo ter transcorrido desde quando você era um ser imberbe, é natural que a recordação possa ainda estar viva. Lembra da moça que não era para o seu bico, nem muito menos para os bicos infectos dos seus amigos?

O mito em torno da menina impossível nasce a partir de um fato: de tão bonita — ou rica, ou de família tradicional, não raro tudo isso junto –, ela provavelmente tem razões para não se interessar por você e sua vulgar existência.

Ocorre então um fenômeno interessante. Por ser intangível, a tal moça não se transforma em objeto de desejo sexual. Ela é um mito, quase um interdito.

Você passa então a fantasiar e gostar de espécimes menos aquinhoados, muito mais próximos e factíveis. Espécimes mais humanos, por assim dizer. E aprende na prática o que é a seleção natural e a lei econômica da escassez. Está, portanto, pronto para viver.

A menina impossível da minha infância foi a Patrícia Serralha.

Momentos de PS no FB

Nunca fui propriamente um amigo de PS. Como muitos dos meninos da minha geração, era um anônimo admirador na longínqua cidade interiorana onde vivemos os mais tenros anos de nossas vidas. O fato é que a moça esteve sempre acima de nossas mortais possibilidades.

Fui buscar o Facebook da Patrícia Serralha e descobri um monte de coisa legal. Ela é hoje uma profissional realizada, tem filhos saudáveis, faz projetos importantes de arquitetura e decoração e continua sendo a mulher bonita que sempre foi — uma entre tantas mulheres bonitas em nossas vidas.

Humana como todos nós, está no mesmo Facebook que congrega chatos, bacanas, virtuoses, pretensiosos, pés-de-chinelo, boçais, pseudo-intelectuais e filhos do Eike Batista.

Tão importante quanto ter entendido a teoria da seleção natural foi ter encontrado a Patrícia Serralha, depois de décadas, no Facebook, e perceber que até os homens mais maduros serão sempre uma coleção viva de fantasias infantis.

As mulheres também são assim? Também tem essa coisa do menino-mito?

Me diz uma coisa, quem era a menina (ou o menino) impossível da sua geração?

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O extremo da crueldade numa criança de nove anos

20 jan

Postei a foto desse gatinho fofo exclusivamente para aumentar o tráfego do blog

Se você bobear, a PETA joga nanquim na sua estola de vison. A civilização melhorou muito de uns tempos para cá. As pessoas estão procriando menos e, em proporção inversa, adotando animais domésticos. Os animais são os reis das redes sociais, já reparou? Acho que é um bom sinal, as crianças vão crescer com outros valores.

 Mas nem sempre foi assim.

Em 1983 éramos uns broncos, crianças ogras de nove anos.

Meu amigo fazia experiências “científicas” com animais. A mais notável foi uma em que ele enterrou um bípede plumado vivo, dentro de um saco plástico. Semanas depois, meses talvez, retomou o experimento, voltou à cova, queria checar os despojos. Para seu espanto, os ossos estavam lá.

Ele esteve movido pela curiosidade — e também por um certo sadismo — próprios dos meninos. Aplicou seringas de azul de metileno em diferentes espécies de peixes e descarregou energia elétrica em artrópodes de múltiplos calibres.

Mas o tal amigo e mais seis crianças ogras em Monte Alto, no interior se São Paulo, fizeram ainda pior.

Tudo começou quando uma vizinha ranzinza, incomodada com um gato vira-lata preso à sua árvore, deu a eles a missão de “sumir” com o felino.

Eles caminharam quadras e quadras, em silêncio,  até o fim do bairro, onde havia terrenos baldios com mato alto, quase sempre domado a fogo. Um deles, à frente da turma, levava o saco de estopa com o bichano dentro.

Foi em frente a um desses terrenos ardentes, longe da civilização, que os moleques imolaram o animal, impiedosamente. Eles se entreolharam, apavorados, ao ver o bicho lutando contra as chamas, as entranhas cozinhando, os olhos explodindo, bolhas saltando do couro.

O que pode ter levado essas crianças de nove anos a executar tamanha crueldade? Alguém tem uma ideia?

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