Esqueça tudo o que você pensava saber sobre Calígula, o mais devasso dos imperadores romanos, cujo breve reinado foi de 37 a 41 D.C. A recém-lançada biografia escrita por Aloys Winterling pretende limpar sua reputação — se é que ainda há uma reputação.
A história oficial registra o seguinte: “Calígula bebeu pérolas dissolvidas em vinagre e comeu comida coberta por folhas de ouro. Forçou homens e mulheres a fazer sexo com ele, transformou parte de seu palácio em um bordel e cometeu incesto com suas irmãs. Ele se considerava super-humano e forçou seus contemporâneos a cultuá-lo como um deus”.
Segundo Winterling, a má fama de Calígula é resultado de um problema político. Aos 24 anos, o impetuoso imperador bateu de frente com o Senado. E os senadores trataram de pintá-lo como insano.
Calígula, diz Winterling, tratava a aristocracia romana com sarcasmo e seu objetivo era humilhar, ridicularizar, expô-la ao ridículo. Daí que o episódio do cavalo Incitatus, por ele nomeado cônsul, foi uma maneira de zombar dos aristocratas, que tinham no consulado o ápice da carreira política.
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