
Nelson Rodrigues e Eugene O'Neill: as peças Senhora dos Afogados (1947) e Mourning Becomes Electra (1933) têm o mesmo argumento
De quando em quando alguém sugere, maldosamente, que a peça “Senhora dos Afogados”, publicada por Nelson Rodrigues em 1947, seria fruto de um plágio.
A peça brasileira é praticamente igual a “Mourning Becomes Electra”, de 1931, do dramaturgo americano Eugene O’Neill, reconhecidamente um dos grandes ídolos de Nelson.
A diferença está na cena final, em que inverte-se uma situação entre os personagens.
O crítico Sábato Magaldi, maior estudioso da obra de Nelson, disse em 1959 que Nelson Rodrigues fez uma paráfrase, ou seja, copiou o argumento da peça, com o cuidado de modificar todo o texto. Demonstrando honestidade intelectual, Nelson nunca negou a “apropriação”.
Numa época em que os pós-modernos discutem o conceito da autoria, é bom não confundir as coisas. Não há originalidade em enredos teatrais, mas elaborações e reelaborações que vêm sendo feitas há séculos, desde os gregos.
Aliás, o próprio Eugene O’Neill, neste caso, fez uma paráfrase de Orestéia, de Ésquilo. Faça a comparação dos textos do Nelson e do O’Neill nos links abaixo: