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Escolha a sua melhor frase de Nelson Rodrigues

1 jan

"Daqui a duzentos anos, os historiadores vão chamar este final de século de a mais cínica das épocas. O cinismo escorre por toda parte, como a água das paredes infiltradas". NR se referia ao fim do século 20, mas continua atualíssimo.

Nelson Rodrigues teria sido um tuiteiro de primeira grandeza. Mas é provável que, se vivo estivesse, fosse torcer o nariz para Twitter, Facebook, blogs, considerando tudo isso uma grande bobagem.

A coleção de pérolas rodrigueanas daria para encher uma enciclopédia. O jornalista Ruy Castro organizou, para a Companhia das Letras, um volume que reúne, sob o título de Flor de Obsessão, suas mil melhores frases.

 Abaixo, pincei algumas e pintei de vermelho as minhas preferidas:

  • “O brasileiro é um feriado”.
  • “O Brasil é um elefante geográfico. Falta-lhe, porém, um rajá, isto é, um líder que o monte”.
  • “Sou a maior velhice da América Latina. Já me confessei uma múmia, com todos os achaques das múmias”.
  • “Toda oração é linda. Duas mãos postas são sempre tocantes, ainda que rezem pelo vampiro de Dusseldorf”.
  • “O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota”
  • “Na vida, o importante é fracassar”
  • “A Europa é uma burrice aparelhada de museus”.
  • “Hoje, a reportagem de polícia está mais árida do que uma paisagem lunar. O repórter mente pouco, mente cada vez menos”.
  • “Daqui a duzentos anos, os historiadores vão chamar este final de século de ‘a mais cínica das épocas’. O cinismo escorre por toda parte, como a água das paredes infiltradas”.
  • “Sexo é para operário”.
  • “O socialismo ficará como um pesadelo humorístico da História”.
  • “A pior forma de solidão é a companhia de um paulista”.
  • “Subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos”.
  • “As grandes convivências estão a um milímetro do tédio”.
  • “Todo tímido é candidato a um crime sexual”.
  • “Todas as vaias são boas, inclusive as más”.
  • “O presidente que deixa o poder passa a ser, automaticamente, um chato”
  • “Não gosto de minha voz. Eu a tenho sob protesto. Há, entre mim e minha voz, uma incompatibilidade irreversível”.
  • “Sou um suburbano. Acho que a vida é mais profunda depois da praça Saenz Peña. O único lugar onde ainda há o suicídio por amor, onde ainda se morre e se mata por amor, é na Zona Norte”.
  • “O adulto não existe. O homem é um menino perene”.
  • “Não vou para o inferno, mas não tenho asas”
  • “O óbvio também é filho de Deus.”

Twitter e Facebook: uga-uga digital, amigos que não vemos

5 dez

Bela ilustração do Sattu para o ensaio publicado na revista Alfa de dezembro

Fragmento do ensaio “A quem apelar?” que o jornalista José Roberto Guzzo escreveu para a edição de dezembro da revista Alfa:

 “O que se desaconselha, mesmo, é qualquer comentário que possa levantar qualquer tipo de dúvida sobre as vantagens da conectividade sem limites em que vivemos atualmente.

Por exemplo: utilizar menos e menos palavras, como se requer no Twitter, seria realmente um avanço sem precedentes para o ser humano? O homem das cavernas sabia bem poucas palavras e se comunicava com ruídos muito parecidos às abreviações que aparecem nas telinhas dos celulares. Tudo bem? Talvez não seja, mas é melhor deixar de lado comentários desse tipo.

Também não se recomenda fazer restrições ao Facebook, que torna possível às pessoas ter amigos sem se encontrar fisicamente com eles. Nem sequer lhes dizer um alô ao telefone. O sujeito tem 150 amigos, mas nunca falou com nenhum – será de fato uma vantagem extraordinária? Dez entre dez conectados lhe dirão que é.”

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