Sou ardoroso fã do romance Uma Questão Pessoal, do escritor japonês Kenzaburo Oe.
E, também por isso, foi um grande prazer conhecer a coletânea de seus 14 contos, enfeixados e publicados em português no fim de 2011: muitos dos temas de Uma questão estão ali prenunciados nas narrativas escritas entre 1957 e 1990.
A edição tem um elegante texto introdutório de Arthur Dapieve (eu ignorava sua fluência em assuntos nipônicos) e um exímio trabalho de organização e tradução de Leiko Gotoda.
Seventeen, um dos contos mais polêmicos, é sobre um menino de 17 anos, obcecado por masturbação, que adere ao movimento da juventude ultranacionalista. Em 1968, ano de sua primeira publicação, foi duramente atacado pela esquerda e pela direita.
Mas a narrativa de que mais gosto — e que, em vários momentos, me lembrou aquele bom romance de JP Cuenca – é Exultação. O casal numa paisagem bucólica tomando Johnnie Walker presencia a morte de um motociclista na estrada. O clima blasé, a descrição desapaixonada, é puro Oe, no seu melhor.
