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“Todo tímido é candidato a um crime sexual”

7 jan

Matéria de capa de Veja (03/1980) escrita por José Castello e Jairo Arco e Flexa dizia que Nelson era o maior autor nacional vivo. Ele morreria em dezembro daquele ano.

2012 é o ano de Nelson Rodrigues. Olha quanta coisa já programada:

  • Até a data do centenário do autor, 23 de agosto, suas 17 peças serão remontadas nos palcos do Rio, por iniciativa da Funarte. Para isso, a instituição anunciará, em janeiro, um edital de apoio às produções.
  • No carnaval do Rio, a Unidos do Viradouro apresentará o enredo “A vida como ela é: bonitinha, mas ordinária”, em homenagem a Nelson.
  • Um dos projetos mais aguardados é o da série Ocupação, no Itaú Cultural da Avenida Paulista, que propõe um recorte ousado sobre o passado do escritor.
  • Renato Borghi e Élcio Nogueira Seixas conduzem um projeto de tradução para o espanhol e para o inglês das obras teatrais de Nelson. Borghi, aliás, segue em cartaz com “O Beijo no Asfalto”, sob direção de Marco Antônio Braz, e estreia neste mês “Os Sete Gatinhos”, por Nelson Baskerville.
  • A editora Nova Fronteira, que pretende renovar o contrato para a publicação das peças, promete novos lançamentos.
  • No cinema, está prevista a estreia de “Bonitinha, mas ordinária”, filme dirigido por Moacyr Góes.

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Senhores do Conselho, esses mangás vão dominar o mundo

16 dez

Três caipirinhas com Xinran, de As Boas Mulheres da China

13 dez

A jornalista chinesa Xinran, clicada por Ernani d'Almeida. "Eu sou chinesa, gosto de asinhas fritas, lembra?"

A jornalista chinesa Xinran tinha deixado mais uma plateia embasbacada para trás. Sua passagem pelo Brasil, que incluíra uma participação na Flip, em 2009, fora um enorme sucesso. Tínhamos combinado jantar e ao restaurante fomos com o marido Toby Eady, famoso editor britânico.

Xinran é autora de um livro de grande sucesso no Brasil, As Boas Mulheres da China, que narra a condição feminina na China. Foi exatamente sobre as histórias reais das mulheres que aparecem no livro que falou às plateias brasileiras. E encantou.

Dá uma olhada na ótima entrevista que concedeu na ocasião a Thaís Oyama, em Veja. Clica, vai lá, tem um pouco da história da própria autora, que é absolutamente comovente. E ainda vai conhecer o truque da unha pintada.

Antes de chegarmos ao restaurante de comida brasileira, papeamos bastante no carro. Eady, amigo do autor de romanções históricos Bernard Cornwell, queria saber de minhas veleidades literárias. Queria saber, na verdade, se eu achava que minha escrita resistiria a uma tradução. Em suma, queria especular se alguma coisa escrita em português sobreviveria a uma tradução.

Achei uma preocupação legítima a do Eady. Lembrei-me de poucos autores brasileiros contemporâneos que, traduzidos, fariam bela figura. Mas hoje, pensando como editor, com o Brasil tão na moda, não sei mais o que acho.

Vamos pedir um frango ao molho pardo, Xinran? Eu sou chinesa, gosto de asas, lembra? Passamos o tempo todo falando de como são os casais brasileiros. Em vez de falar sobre os livros de Xinran, tratamos de Machado de Assis, de Milton Hatoum. Tive de sugerir que certas coisas fossem levadas da mão para a boca. Vamos tomar caipirinha? Vamos! Uma, duas, três.

Ao final do jantar, quando pouco depois os deixei na porta do hotel Fasano, Xinran e Eady se abraçavam como adolescentes apaixonados. Deve ter sido uma noite memorável. Para mim, foi.

Para quem quer saber mais sobre a Xinran segue um link para o blog, meio desatualizado, diga-se http://www.xinranbooks.co.uk/blog/

Vídeo do “debate na cozinha” entre Nixon e Khrushchev

7 nov

 

Legal o box da boa matéria de Diogo Schelp em Veja (9/11), sobre os 20 anos do desmantelamento da URSS. A certa altura, Khrushchev diz a Nixon que os produtos americanos são feitos para não durar. A gente também queria uma cozinha soviética lá em casa.

Frei Betto é um Paulo Coelho em Cuba

12 out

Reportagem falava sobre os racionamentos impostos à população cubana, mas também sobre os feitos do regime na Saúde e Educação

O primeiro jornalista brasileiro em missão de trabalho a Cuba foi Milton Coelho, da revista Realidade, ainda em 1968. Só oito anos depois Fernando Morais publicaria o livro-reportagem A Ilha, traduzido para 23 idiomas e com mais de 3 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. É provavelmente o mais completo relato sobre a educação, a saúde e a cultura cubanas da época.

Morais voltaria ao país 25 anos depois para descrever a ruína econômica causada pelo fim das remessas de dinheiro soviético no fim da década de 80. Agora acaba de lançar Os últimos soldados da Guerra Fria, para o qual entrevistou agentes infiltrados em organizações de extrema direita e mercenários, muitos hoje presos e condenados a prisão perpétua.

Outros livros relevantes do período são Cuba de Fidel (1978), belo relato impressionista de Ignácio de Loyola Brandão, Passaporte sem carimbo (1978), de Antonio Callado, Cuba hoje: 20 anos de revolução (1979), uma coletânea do material que o jornalista Jorge Escosteguy produziu para revista Veja, e Fidel Castro: uma biografia consentida (2002), da jornalista Claudia Furiati, que teve acesso ao arquivo secreto do dirigente cubano.

O religioso Frei Betto transformou-se numa espécie de Paulo Coelho em Cuba. É dele o maior best-seller de todos os tempos. Fidel e a religião, escrito em 1985, é o livro mais vendido na história da ilha, mais até do que o Diário de Che.

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