Foi Chris Anderson, diretor de redação da Wired e autor do clássico A Cauda Longa, quem nos mostrou um iPad pela primeira vez. Lembro-me de que ele o estendeu a Lívia Aguiar, corriam os primeiros meses do remoto 201o, era uma grande novidade.
Ando relendo A Cauda Longa. Qual é mesmo a teoria? Aplicada à comunicação, diz mais ou menos o seguinte:
A partir do surgimento da internet, os grandes hits da indústria cultural perderão gradativamente importância econômica para os conteúdos de nicho. Como os custos de produção e distribuição caíram, produtos e serviços segmentados poderão ser economicamente tão atrativos quanto os produtos de massa.
Não tenho muita dúvida disso e acho que é animador para quem faz — ou ajuda fazer – revistas, sites e apps.
Anderson diz que a melhor maneira de entender a coisa toda é observar os hábitos de consumo de mídia de uma garoto de 16 anos:
”Compare minha adolescência com a de Ben, garoto de 16 anos que cresceu com a internet. Ele tem um Mac no quarto, iPod com tudo a que tem direito, verba semanal para baixar música no iTunes e um grupo de amigos com os mesmos privilégios.
Não conheceram o mundo sem banda larga, celulares, mp3 e compras online. Sob a perspectiva de Ben, o panorama cultural é um continuo sem fronteiras, com conteúdo amador e profissional competindo em igualdade de condições pela atenção dele.
Ele simplesmente não faz diferença entre os hits populares e os nichos underground, apenas escolhe aquilo de que gosta num menu infinito: a web.
Suas leituras incluem romances baseados em Star Wars e mangás japoneses. A subcultura japonesa pegou os adolescentes americanos, eles aprendem japonês na escola para poder entender tudo melhor”.
Na juventude dos meus pais, os japoneses eram o mal. Na minha infãncia, eram os russos.
Anderson entende que a TV broadcast é a melhor maneira de se fazer um programa para milhões de pessoas. O que ela não faz é o que a web faz muito bem: milhões de programas para cada pessoa. O que você acha que é mais relevante para um moleque como Ben?
Enfim, nem tudo é hit. E o não-hit não é necessariamente fracasso, é apenas todo resto.
