A doença infantil do ridículo Tio Sukita

“Tio, aperta o 21?”

O Tio Sukita é o personagem quarentão do comercial de TV. Ele está dentro do elevador e tenta puxar papo com uma lolita de dezoito anos. Ela sorve o refrigerante, distraída, e responde monossilabicamente. A certa altura, ela interrompe: “Tio, aperta o 21 pra mim?”.

O constrangimento vem do fato de que ele tem uma percepção errada sobre sua própria imagem. Infelizmente, é muito comum.

A doença infantil do tiosukitismo não se manifesta apenas nas situações de assédio, como a do filme, sua expressão mais ridícula.

O tiosukitismo se dá também nas relações de trabalho, nas manifestações da moda, nos hábitos sociais.

Falo aqui dos homens, entrados nos 40, agindo como meninos. Existe também a versão feminina, mas fica para outro dia.

Tem aquele tipo que esqueceu de parar com os baseados. Porque baseado, chega uma hora, a gente para. Há também o bronzeado com barriga de tanquinho que geme quando faz supino. Enfim, basta olhar em volta.

A sabedoria está em admirar a juventude e entender que, certas coisas, pertencem exclusivamente ao reino dos jovens. A eles perdoamos, pensando bem, o uso dos cabelos heterodoxos sobre os quais falei outro dia.

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