Dois colegas de quarto, uma webcam e uma tragédia

Eu, circa 1980

Uma triste história policial mobiliza agora (23/2/2012, 23h24) a atenção nos Estados Unidos.

Uma universidade de elite publica a lista dos recém-aprovados, indicando as duplas que dividiriam o alojamento no ano letivo de 2010. Incontinenti, o indiano nerd vasculha a internet em busca de informações sobre seu roommate e encontra vários registros ao varrer a vida digital do outro.

Com as informações levantadas, o indiano infere que o colega Tyler Clementi é pobre e gay. Comenta sarcasticamente com amigos nas redes sociais.

Quando começam as aulas, ambos têm uma relação pacífica, mas distante.

Numa tarde qualquer, o indiano recebe no celular um pedido de Clementi para usar exclusivamente o quarto das 21h à meia-noite. Aceita, não sem antes preparar a webcam de seu computador para transmitir tudo o que se passa no quarto.

Clementi recebe a visita de um homem de 25 anos e com ele mantém relações íntimas. A câmera ligada é assistida pelo indiano e uma amiga em outro lugar do câmpus. Mais comentários maliciosos nas redes sociais se sucedem.

Esta mesma operação acontece mais uma vez, em outro dia. Clementi, desconfiado, desliga o computador e interrompe a transmissão. Depois de ver a repercussão na rede, denuncia o indiano ao conselho da universidade por invasão de privacidade. Abalado, pega um ônibus até Nova York e se joga da ponte George Washington.

No Facebook, pelo celular, se despede, “sorry, pulando da ponte”.

A história, narrada pela por Ian Parker na New Yorker (6/2/2012), pode transformar o conceito que hoje se tem sobre bullying. No momento em que escrevo (23/02/2012, às 23:30) o juri acaba de ser escolhido: oito homens e oito mulheres. O indiano pode ser preso e deportado por vários motivos.

Leia a reportagem, é um primor de jornalismo, mostra como tudo o que você faz na web hoje é recuperável pela polícia:

http://www.newyorker.com/reporting/2012/02/06/120206fa_fact_parker

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Tudo isso me lembrou do bullying na infância.

Na foto que ilustra este post você já me localizou. Era sofrido, mesmo. Ser um garoto tímido, obeso com cabelo capacete era ser também a presa perfeita.

Décadas depois, sou esse homem sexy e bem resolvido que vocês conhecem.

Aos meus predadores, uma banana.