As belezinhas polonesas do Flashdancers

Imagem meramente ilustrativa

Era uma tarde outonal, daquelas em que a luz do sol chega filtrada por uma brisa fresca que só há em Nova York. Naqueles dias, tinha visto taxis com um display exibindo o rosto de uma mulher e os dizeres Flashdancers – Gentlemen’s Club 52nd & Broadway. Muitos deles circulando por Manhattan.

Os taxistas muçulmanos, aliás, andaram constrangidos com os anúncios. Foram reclamar no Taxi & Limousine Commission, pedindo a proibição das inofensivas propagandas.

A propaganda, pudica como um catálogo da Sears

Broadway com 52, fachada discreta, uma escada dá acesso ao subsolo. O clube está no local onde um dia funcionou o mítico clube de jazz Birdland. De vez em quando, a fachada aparece naquela câmera externa do estúdio do programa do David Letterman.

Sushi e saquê

Todos os clubes como o Flashdancers são parte de uma mesma cadeia, que também detém a marca New York Dolls, famosa. O gerente do FD é um tal Barry, uma figura conhecida, há fotos dele posando com garotas na internet.

Latinas, europeias do leste, mulatas e também espécimes daquilo que se chamava antigamente de white trash americano. Em plena luz do dia, enquanto os mercados mundiais estão comendo quente lá fora, os homens mais insuspeitos estão lá, sozinhos, cada qual num sofá, na espreita, vestidos com os as roupas que usam para trabalhar.

As poltronas cafonas cheiram a couro cabeludo. É o tipo de lugar que tem corrimão dourado.

$$$$

Para fazer qualquer coisa lá dentro é preciso — no caso de o sujeito não possuir os velhos e bons dólares americanos — comprar com cartão um dinheiro do tipo do do banco imobiliário chamado flash cash. E o que se pode fazer, além de beber, é conversar e pagar drinques até que a profissional comece a oferecer uma lap dance, que pode ser pública ou privada.

A lap dance é um instituição americana. Originalmente era uma dança erótica em que a mulher, quase sempre seminua, chegava a sentar no colo do conviva. Os americanos apreciam isso. Presenciei um cidadão, jovem, recebendo uma dessas danças. Ele não estava bebendo. Chegou, recebeu a dança como se estivesse se aliviando, e foi embora.

A praxe é que não se pode tocar. Na California, é lei. Você pode receber uma lap dance, mas isso não significa que pode colocar suas mãos sujas na profissional que a performa. É considerado inadequado. Portanto, sem graça.

O fim da Guerra Fria fez com que russas e polonesas invadissem os clubes. Elas estão por toda a parte, Marias Sharapovas zanzando para lá e para cá.