Djoso-Horace

Ilustra do Arthur Arnold

Ser uma linda de suplex não é para qualquer uma. Os homens, em geral, querem as lindas de suplex porque são garotas comuns, com suas roupas de ginástica apertadas, posando quase sempre para o namorado. Além das ancas jovens, há um tesão especial pelo fato de eles incentivarem a exposição delas na internet. Ela foi a linda de suplex de janeiro, mês em que completou vinte anos. Djoso-horace deseja profundamente ser pisado por uma linda de suplex. E vamos supor que ele tenha conseguido contatar a nossa estrela de janeiro para um programa com o consentimento do fidanzato.

Muitos sempre suspeitaram que Horace, obviamente, nunca deixara de ser uma das personas do apresentador de televisão Djoso-horace. O fato ficou claro quando ela chegou ao porão, apertou o botão do interfone e recebeu um clique seco da porta automática.

Foram os dois lances de escada mais demorados de sua vida. Afinal, ela sabia que iria encontrar-se com ninguém menos que Djoso-horace. Mas fingiu que era normal. Ele atendeu à porta num outfit de couro justo, cheio de tiras e fivelas de metal. A barriga caía-lhe fartamente sobre as pernas como uma saia adiposa, ocultando o escroto. Sua brancura contrastava com as correias negras que separavam suas duas mamas peludas, pendentes com pregadores nos mamilos. Não era normal. Ninguém acharia normal. Mas ela fingiu que estava tudo ok. Puta acha tudo, tudo, tuturututudo normal. Uma máscara negra encobria seu rosto famoso de televisão. Ela veio apenas linda, de suplex.

Ficou bem à vontade para escolher um entre os dez consolos da coleção de Djoso-horace. Um de cristal, grosso e liso. Ela pôs o cinto de couro na pélvis, encaixou-o e logo estava metendo a vara naquelas nádegas brancas imensas. Ele levava sem dar um pio. Cansada, ela tira o suporte, tira o legging de suplex, o tapa-sexo Calvin Klein e exibe um micropênis de quatro centímetros, duro. Surpraaaise! Ninguém poderia imaginar que a nossa linda de suplex tivesse um micropênis.

Não é normal. Ninguém acharia normal. Mas Djoso-horace achou normal e chupou a coisa por 15 exaustivos minutos. Depois, pediu que ela calçasse uma sandália com salto stiletto antes de caminhar em cima dele, afundando os pezinhos na banha, quase furando.

Os pés acabaram na boca, saliva por todo lado. Agora mija, ele pediu. Fez-se um enorme silêncio. O CD do Brian Ferry terminara, e no ar só havia a respiração de ambos. Foram os segundos mais demorados de sua vida.

Afinal, ela estava ali com ninguém menos que Djoso-horace. Mas fingiu que era tudo normal e pronunciou um sonoro não no momento em que pela primeira vez fitou os olhos miúdos atrás da máscara. Ele gozou de prazer, e ela saiu rebolando porta afora, linda, de suplex.

*Conto publicado em 2006, em O Homem que não gostava de beijos, pela editora Record. http://www.record.com.br/autor_entrevista.asp?id_autor=4835&id_entrevista=179