Documentário de Simon Schama ensina a ver Rothko

Se você olhar longamente, os blocos de cores começam a flutuar

Primorosamente bem construída a matéria da capa da edição de abril da revista Bravo!.

O gancho é a estreia da montagem brasileira da peça Vermelho, do dramaturgo e roteirista John Logan, com Antônio Fagundes na pele do irascível pintor Mark Rothko (1903-1970) e seu filho, Bruno Fagundes, como o jovem (e fictício) aprendiz Ken.

O texto, elegante como qualquer um escrito por Armando Antenore, faz um rápido passeio pela arte do século 20.

Trata de como Rothko, para se afirmar como um dos artistas mais importantes de seu tempo, teria renegado seus próprios mestres, expoentes das vanguardas que precederam o chamado Expressionismo Abstrato, movimento que teve auge na década de 1950 e do qual Rothko fazia parte, juntamente com Pollock e de Kooning.

Apesar da maioria dos teóricos da pós-modernidade considerar que, por causa da web, vivemos uma época de ininterrupto mashup de referencias de todos os tempos, as novas gerações continuarão matando simbolicamente seus pais e mestres para existir.

O ensaio do Armando fecha voltando aos atores da peça, pai e filho, sugerindo que Bruno precisará lidar com a pesada sombra do pai para se estabelecer.

Para quem não conhece muito Rothko, sugiro assistir ao documentário Power of Art, do historiador Simon Schama, originalmente exibido pela BBC, uma verdadeira aula introdutória sobre o pintor e sua obra. Está quebrado em sete partes no Youtube:

Parte 1 Parte 2 Parte 3 Parte 4 Parte 5 Parte 6 Parte 7

A partir da Parte 6 você entende melhor o surto de Rothko com a encomenda do restaurante Four Seasons que ele nunca entregou.