O efeito “Quero Ser John Malkovich” dos blogs

Em verdade, só escrevi este post para compartilhar esta ilustração do artista Ho Ryon Lee, que eu não conhecia e me foi apresentado pelo designer mineiro Leonardo Freitas. Clique para ver mais

David Remnick, editor da New Yorker, disse certa vez que “a revista que publicamos toda semana reflete o que eu quero ler ou o que as pessoas à minha volta — este grupo de editores — considera impressionante ou profundo, ou engraçado, ou inteligente ou o que seja.”

É mais ou menos o que penso quando alimento este blog com as inutilidades que você está acostumado a ver.

Para mim, o blog é um monólogo interior. Uma caixa preta de impressões passageiras e algumas confissões. Ler blogs como este é acompanhar o fluxo de pensamentos de alguém; é a coisa mais próxima que temos de telepatia.

Ou, para citar mais explicitamente uma passagem do artigo de Mark Dery, autor que me foi apresentado por Gunter Axt (confesso que queria ter escrito isso):

“Os blogs são o equivalente pós-moderno do gabinete de curiosidades do período barroco — um aglomerado idiossincrático de objetos encontrados (ideias, imagens, fatos e ficções recolhidas do fluxo midiático global) que refletem nossas próprias tentativas de assimliar a abundância de dados imateriais despejados sobre nós pela descoberta da vida em rede.”

Mark prossegue:

“Alguns dos melhores blogs oferecem um mundo estranho como alternativa à grande mídia. Seu conteúdo não é determinado por formadores de opinião, que dizem o que você deve saber, ou por editores que querem vender sua atenção para anunciantes que desejam falar com você. Pelo contrário, eles dizem o que nem você mesmo sabia que deveria saber.”

“Alguns dos meus blogs favoritos deixam o visitante casual espiar os pensamentos mais recônditos de um estranho para enxergar o mundo por meio dos olhos de outra mente. É o que eu chamo de Efeito John Malkovich.”

Bem simpático.

Leia também

Meninas da American Apparel não; o Beckham de cueca ok?

O mito Patrícia Serralha ou a garota dos sonhos da infância

As criancinhas sem pirulito da retratista Jill Greenberg

Um lindo poema de Wisława Szymborska (1923 – 2012)

Documentário de Simon Schama ensina a ver Rothko

Você é sanguíneo, fleumático, colérico ou melancólico?

Safran Foer, vegetarianismo e carne humana insepulta