Zambra e Vila-Matas, uma grata surpresa [FLIP]

O espanhol Vila-Matas e o chileno Alejandro Zambra falaram sobre o que interessa: literatura

Quando terminou a conversa entre os escritores Alejandro Zambra e Enrique Vila-Matas, na tarde desta quinta (5/7), fui correndo à Livraria da Vila comprar o livrinho do primeiro. Eu não conhecia, foi uma grata surpresa.

Zambra tem 37 anos e foi escolhido pela revista britânica Granta como um dos 22 melhores jovens escritores hispanoamericanos. É também crítico e professor de literatura na Universidade Diego Portales, de Santiago.

BTW, a Granta anunciou hoje a lista dos melhores escritores brasileiros, tenho muitos amigos na lista.

Bonsai é, nas palavras de Zambra, um livro miniatura, cuidadosamente editado no Brasil pela Cosac Naify. É bem escrito, você lê em uma hora.

Começa assim:

“No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho muitos anos antes da morte dela, de Emilia. Digamos que ela se chama ou se chamava Emilia e que ele se chama, se chamava e continua se chamando Julio. Julio e Emilia. No final Emilia morre e Julio não morre. O resto é literatura.”

Leia resenha de Joca Reiners Terron no blog da Cosac.

Ideias para o seu romance

Durante o papo, Zambra lembrou Ezra Pound, que dizia se interessar apenas pela parte boa de um romance ou de um poema. É basicamente a ideia contida em “O resto é literatura”. Bonsai é, em certa medida, um romance-súmula que pretende entregar apenas a parte boa.

Vila-Matas e Zambra deram suas impressões sobre a obra de Roberto Bolaño (1953 – 2003), falaram sobre literatura e memória, sobre amigos que indicam livros que não leram, lembraram Borges (1899 – 1986), Macedonio Fernandez (1874 – 1952) e Felisberto Hernandez (1902 – 1964).

Foi muito inspirador, surgiram boas ideias para escritores de ficção vivendo um bloqueio criativo:

1) Um livro-projeto. Que não precisa ser escrito. Basta ter um belo projeto, bem redondo. Veja bem, parece fácil, mas não é.

2) Estilo Borges: um livro baseado num livro ancestral que você já leu, mas que na verdade nunca existiu.

3) Um antídoto para a angústia da influência: transforme os autores que escrevem melhor do que você (vivos ou mortos) em personagens do seu romance.

Amanhã vou conversar com Vila-Matas sobre seu livro mais recente, Ar de Dylan.

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