Prefiro pensar que Franzen é um tímido [FLIP]

Pensando bem, Franzen, o bird watching também é uma forma de marketing

Jonathan Franzen entrou correndinho no palco da Flip, na noite de sexta (6/7), apresentado à plateia como o melhor autor americano, sucessor de Philip Roth.

Franzen, como eu, não acredita nessa história de o melhor. Imagino que ele também não acredite muito em festas literárias como a FLIP.

Pareceu desconfortável, fora de foco e tremendamente desarticulado depois da rápida leitura que fez dos parágrafos iniciais do romance Liberdade.

Franzen não conseguiu acertar uma piada.

Feriu suscetibilidades, imagino, ao criar a imagem do pequeno paraíso artificial literário patrocinado por uma bandeira de cartão de crédito.

Enquanto uma parte da plateia não entendeu o registro de seu humor — que, diga-se, não é exatamente refinado – a outra emburrou com um certo sarcasmo que escapou aqui e ali.

Muito pouco ficou de sua participação. O único achado, talvez, pode ter sido quando foi instado a falar da família, dos irmãos, que é algo realmente importante em seus livros: “Não fui infeliz, não tive uma família infeliz”.

Estamos, portanto, diante de um tremendo escritor que detesta se expor em público. E, olha, não há nada de errado nisso.

Terminou com a história da natureza e do bird watching em Ubatuba. Não aguento mais isso, não entendo, não consigo alcançar, sorry.

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